Cascata do Caracol

Foi na manhã nublada do dia 29 de Setembro de 2011 que conhecemos a belíssima Cascata do Caracol, situada no Parque Estadual do Caracol em Canela/RS (Brasil). Este é considerado um dos pontos mais atrativos e bonitos para quem visita o sul do Brasil.

Para apreciá-la existem diferentes formas, mas nós escolhemos um passeio de teleférico e a descida até um mirante onde é possivel ver os 130 metros de queda livre, inserido em uma área de 59 hectares de preservação onde a natureza é bela e abundante.

Esse é realmente um passeio imperdível para quem visita a Serra Gaúcha.

Texto: Geslie Fernandes
Foto: Juvenal Costa

Perfil: António Cunha

Data de Nascimento: 29-10-1952
Local de Nascimento: Porto - Portugal
Reside em: Miragaia - Porto
Actividade Profissional: Técnico Serigráfico
Passatempos: Ler, Viajar, Pintar, Desenhar... enfim, procurar viver a vida da melhor maneira possivel
Filme Favorito: Não tenho favorito
Escritor Favorito: Fernando Pessoa, Agustina Bessa-Luís, Augusto Gil...
Preferências Musicais: Yes, Pink Floyd...
Mensagem: O Caracol é o melhor elixir para o AMOR. Entre eles nunca existem guerras!

A Casa Amarela

Era uma vez a história da casinha amarela... podia começar por vos falar de príncipes e de princesas, de guerreiros ou de castelos encantados e de dragões. Mas, não! Não é disto que vos vou falar, nem tão pouco esta história termina com "felizes para sempre".
Esta história de encantar fala-nos de 40 caracóis. Pois é! 40, nem mais! E para teres uma ideia o mais novo destes caracóis, é uma menina e tem 60 anos de idade. Mas a menina caracol mais brincalhona tem 90 anos! Podes estar surpreendido/a, mas para brincar não há idade! Esta, é também uma história de trabalho, de conquista e de amizade, tenho a certeza que ias perceber isto, se vivesses na casinha Amarela. Com a idade a concha que cada um de nós carrega, faz-se pesada e é cada vez mais difícel de aguentar os músculos, às vezes é mesmo necessária uma bengala, os olhos também vêem pior e são precisos óculos. O frio está sempre á espreita e é preciso agasalho! Os músculos enferrujam. Mas para brincar a única coisa necessária é ter um espírito jovem e claro, ter amigos! Já reparas-te que há meninos que nunca brincam? Eu sim, já conheci muitos meninos tristes e zangados. Mas a casa Amarela é mágica e todos os caracóis que lá vivem gostam de brincar, partilhar, sorrir e ajudar-se uns aos outros a empurrar a carapaça e a idade! Porque a idade pesa, sabiam?
Cada um de nós é como um caracol, não sei se já tinhas pensado nisso! Mas nós também transportamos coisas! Transportamos as nossas recordações, as emoções, e no coração, os amigos e a família. Essas coisas que transportamos são como que a nossa casa emocional, que dá sentido à nossa vida, dá-nos conforto. E podemos partilhar essas ideias, sonhos, emoções e memórias com os nossos amigos. Ora é exactamente isso que os caracóis que vivem na casa amarela fazem, não é maravilhoso!? As casas servem para abrigar, para guardar, mas também para receber os nossos amigos, já tinhas pensado nisso?
Ora os meninos e as meninas caracóis que vivem na Casa Amarela, são muito trabalhadores e criativos, fazem coisas lindas com todo o material que foram armazenando ao longo da vida, e com isso fazem festas, dançam, fazem histórias e vão de casa em casa, partilhar estas alegrias com outros caracóis. E é por isso que se tornaram heróis da amizade, e vão treinando os músculos e a amizade... e assim, cada casinha anda em festa e se torna mais levezinha!

Até à próxima, e não te esqueças de cuidar da tua Casa Amarela!

Texto: Ana Paula Cordeiro e Mariana Selva
Ilustração: António Cunha

Vizela Cittaslow

É com grande satisfação que o Clube do Caracol tomou conhecimento que Vizela já pertence à rede mundial das cidades Cittaslow e que apartir de agora já pode ostentar o símbolo do caracol.
Cittaslow é um movimento fundado em Itália em 1990 e o seu príncipal objectivo é promover a harmonia entre as cidades e as pessoas.
Vizela assume assim o compromisso de:
- Proteger o ambiente
- Preservar os espaços
- Divulgar os seus produtos
- Apostar nos eventos culturais
O Clube do Caracol deseja o maior sucesso à nova realidade de Vizela.

Caracóis

Acaricio-me no pêlo macio dos meus gatos.

A cortina cinzenta e fria deste Outono recorta-se bem na penumbra da melancolia desejada.

A Agonia dos violinos instala-se no olhar para além da janela.

Visto-me. Saio.

Marco-me em vulto na pequena cidade deserta a horas de jantar.

Cai o cenário em tecido de noite e é a hora da solidão maior. Espreito o interior das casas e o conceito familiar que me é estranho. Uma terrina de sopa fumegante, a mulher e a criança e eu ausente. Alguém está no meu lugar.

Recolho-me por opção nos passos, um e depois outro, em frente, sempre em frente, mesmo que inverta o destino.

Procuro no bolso a garrafinha de líquido ardente, estalo a boca, puxo um cigarro.

Os olhos, o brilho dos meus olhos, fazedor de histórias, renovam a promiscuidade da esperança, que um dia consiga deixar de pensar em mim e me atende mais ao mundo.

É então que os vejo, inocentes, bebedouros do espanto, crentes de qualquer luz, desprezando medos ancestrais e conselhos sábios dos avós, na euforia da esquina. Mala às costas, aligeiram-se sem despedidas, em busca de...

Botas gigantes ao alto, gritos sem boca, olhar apressado no compromisso, o mundo em volta do umbigo, e a vida ao lado da vida sem vida, lágrima sem rosto onde rolar.

Vejo-os na ambiguidade da minha descrença, a pequenez da fragilidade e assumo-me superior e responsável pela preservação da espécie e da dor da desigualdade. Cada um tem um nome, cada um é um e são tão ou maiores do que eu e arremesso-os de novo para os nichos das ervas, no sonho ridículo de um cristo.

Hoje, prolonguei a vida a sete caracóis, agora que os mesmos atinem e façam a inversão de marcha, porque amanhã posso não passar aqui.

Texto: Valdemar Santos
Ilustração: Mariana Selva

Caracol

Lento na sua vida
Lento no seu andar
Lento na sua corrida
Sem nunca desanimar

Vive durante a noite
Já que o sol o faz adormecer
Olhamos para aquele molusco
Sem nunca o temer

O silêncio é a sua arma
e é de noite que vigora
Devagarinho vai andando
e são aos milhares por aí fora!

Texto: Manuel Barbosa
Foto: Jorge Costa

O Caracol e a "Garden Party"


Sou um caracol e a minha divisa é "Devagar se vai ao longe". Levo a vida muito serenamente: Tacteio tudo, sinto todos os odores, nunca me apresso. Dou tempo ao tempo.
Talvez por isso o homem adoptou-me como símbolo da "Slow Food": é o retorno às refeições saboreadas lentamente, confeccionadas com tempo e cuidado, enfeitadas com conversas gostosas, com produtos tradicionais. O Homem começa a perceber que tantas correrias e stress não o levam longe, ou levam mais longe mas com menos qualidade de vida.
O prazer precisa de tempo para ser apreciado, sem pressas. Precisa de disponibilidade, de relaxe, de esquecer o relógio, de entrega sem tempo contado.
"Slow and easy": o Homem tem que perceber que não é uma máquina, precisa de humanizar o seu ritmo de vida. Se me observar e seguir o meu lema, pode aprender muito...
As crianças brincam "Caracol, caracol, põe os corninhos ao sol! " Nem sabem como isso é o prazer puro, saborear muito lentamente uma couve tenrinha com o sol a aquecer o meu corpinho e a minha concha e o bem-estar a tomar conta de mim. Tão docemente! É o prazer absoluto!
Melhor que isso é namorar com outro caracol: sou hermafrodita, mas acasalo 4 vezes por ano, para que me reproduza. Portanto, essas 4 vezes são muito desejadas. Fazemos muitos miminhos, sinto o seu odor, o seu gosto, prolongamos esse prazer devagar, devagarinho.
Deus dos caracóis: obrigado por me teres dado este dom que me permite tão bem apreciar todas as pequenas coisas do meu pequeno mundo.
O Homem adora-me e, como de costume, tudo o que adora, mata e devora. Eu e os meus semelhantes morremos muitas vezes a ferver em panelões: é o horror! Parece que somos deliciosos! Mas alguns comem-nos tão sofregamente que, mais uma vez, não desfrutam da melhor forma!
Mas há seres humanos que não nos molestram, antes pelo contrário, enaltecem as nossas qualidades na sua escrita, pintam-nos, fazem esculturas...
Até o Sr. Rafael Bordalo Pinheiro criou moldes que nos reproduzem em bela cerâmica. E agora estamos numa "Garden Party" no Jardim Bordalo Pinheiro no Museu da Cidade de Lisboa. Excelente ideia da Catarina Portas e projecto da Joana Vasconcelos.
Nestes dias de verão lá estamos todos a celebrar a vida e a animar a natureza!
Texto e foto: Maria Júlia Pacheco

A um caracol namoradeiro

O caracol pequenino
com a casquinha ao luar
deita a antena, ladino,
quando eu o vou chamar.

Sobe ao beiral da janela
para me vir cumprimentar
como quem diz "olha ela!"
com as antenas no ar.

Vai lá meu caracolito,
que tu queres é namorar,
vai ser o bom e o bonito
ver os dois a encasquinar.

Alexandra Malheiro (poema inédito)
www.alexandramalheiro.no.sapo.pt

O Lucas é um molengão!

O Clube do Caracol sugere a leitura do conto infantil "O Lucas é um molengão!" de Didier Dufresne.
O caracol Lucas dormia a sua sesta debaixo de uma sombra, quando os seus amigos, Óscar, o pequeno lagarto, e o Leonardo, o grilo, o desafiaram para jogar às escondidas.
Lucas era molengão e não conseguia acompanhar o ritmo dos seus amigos. Mas, com a chegada dos primeiros pingos de chuva, tudo mudou...
A edição é da editora Zero a Oito e a ilustração de Agathe Hennig.

Perfil: Vanuza Betin

Data de nascimento: 30-05-1975
Local de nascimento: Piracicaba - SP - Brasil
Reside em: Piracicaba
Actividade profissional: Dona do lar
Passatempos: Passear com a família
Filme favorito: Dirty dancing
Escritor favorito: Içami Tiba
Preferências musicais: Romântica, rock, sertanejo e pagode
Mensagem: Estava no jardim de minha casa, quando um caracol apareceu, ele era tão lindo que tudo no meu mundo se esclareceu.
Foto: Piracicaba, Brasil 2010, por Vanuza Betin

Exposição "Paulo Fontes and Friends"


18 de Junho a 11 de Julho de 2010 na Casa da Cultura de Lourosa

Exposição de artes plásticas e outros eventos culturais.

18 de Junho - Inauguração da exposição " Paulo Fontes and Friends"
Artistas plásticos: André Jesus, Armando Rosendo, Fernanda
Freire, Jorge Costa, Marta Cordeiro, Milay, Nuno Rosendo, Paulo Fontes e Rui Alexandre.
Animação de fogo por Eurico Mateus e actuação dos Neosiege.

19 de Junho - Exposição "Paulo Fontes and Friends"

20 de Junho - Apresentação do livro "Viagem ao tecto do mundo - O Tibete desconhecido " por Joaquim Magalhães de Castro.

25 de Junho, 21h30 - Eduardo Roseira apresenta: "Palavras vivas" - stand-up poetry - para maiores de 16 anos.

26 de Junho, 21h30 - (In)ventos literários, com Lurdes Breda, Ana Paula Mabrouk, Isabel Rosete e carlos Maduro.

27 de Junho - Exposição "Paulo Fontes and Friends"

2 de Julho - Apresentação do livro "Luz Vertical" por Alexandra Malheiro.

3 de Julho - Exposição "Paulo Fontes and Friends"

4 de Julho - Exposição "Paulo Fontes and Friends"

9 de Julho - Exposição "Paulo Fontes and Friends"

10 de Julho - Exposição "Paulo Fontes and Friends"

11 de Julho - Encerramento

O Clube do Caracol está representado com sete trabalhos a pastel de óleo de Jorge Costa.

Mais informações em: http://www.paulofontes75.blogspot.com/

Apareçam!!!

Exposição "Um caracol, vários artistas" - Lourosa

Sónia Teixeira - " O sonho "
Exposição Colectiva de Pintura

Artistas: João Fidalgo (Cinfães), José Aguiar (Castelo de Paiva), Mariana Selva (Castelo de Paiva), Natália Nunes (Sta Maria da Feira), Rosa Silva (Lourosa) e Sónia Teixeira (Cinfães).
Local: Unidade de Saúde Familiar Famílias, Lourosa
Data: 01 Fevereiro até 31 Março de 2010
Horário: Das 08h00 às 20h00 ( 2ª feira a Quinta )
Das 08h00 às 12h00 e 15h00 às 20h00 (Sexta)
Org: Clube do Caracol

Perfil: Jorge Costa

Data de Nascimento: 08-11-1970
Local de Nascimento: Castelo de Paiva - Portugal
Residência: Lourosa
Actividade profissional: Segurança Privada
Passatempos: Tenis, Snooker e Internet
Filme favorito: Chocolate
Escritor favorito: Patricia Highsmith
Preferências musicais: Helmet, Rollins Band, Inner Thought, The Dismal, To die for, Slayer e Napalm Death.
Mensagem: Não sejas lesma, adopta um caracol!
Foto: Lourosa, Portugal 2009 - Jorge Costa

O Caracol em busca da casca perdida

Ao longo de um rio pedregoso vivia um caracol sem baba, porém, de barba comprida. Passava muito do seu tempo a olhar a paisagem e a pensar na natureza das coisas, enquanto saboreava deliciosas e suculentas folhas verdes que brotavam do solo fértil. Pensava tanto que a barba, para além de comprida, já estava branca.

Gostava muito das hortaliças frescas que cresciam à beira do rio. Logo após uma boa refeição deixava, temporariamente, a sua casca para se refrescar e lavar a barba. Este era um dos melhores momentos do dia! Dava alguns mergulhos para refrescar o pensamento e aproveitar o bom tempo, pois o Inverno não tardaria.

Certo dia, atraído pela movimentação dos coloridos insectos, deixou-se levar pela correnteza já fria, ao encontro de sítios desconhecidos. A aventura foi tão inesperada que o deixou desorientado.

A preocupação não durou muito, porque o lugar onde chegou era muito bonito, apesar de nebuloso, e o incentivou a um curioso passeio. Estava distante de tudo o que conhecia e tinha frio. Depois de muito andar, lembrou-se da sua casca. Deveria encontrá-la com urgência, pois fazia-se noite e não gostaria de dormir desabrigado.

As noites nos bosques são frias e húmidas.

Decidiu procurar a casca, mas também pensava em encontrar um sítio seco e protegido para passar a noite, caso não encontrasse a sua pequena casa. Para sua surpresa o que encontrou foi um caracol muito grande! Assustou-se! Era uma caracoleta!

Uma caracoleta é bem maior que um caracol. Como se a superioridade do seu tamanho não bastasse, a caracoleta olhou o pequeno caracol com desprezo. Julgara estar em presença de uma lesma e sentiu nojo daquele ser insignificante e amolecido pelo desânimo.

O pequeno caracol sem casca desculpou o insulto da caracoleta. O seu equívoco poderia derivar do facto de há muito não ter contacto com um caracol.

Depois de trocar algumas impressões, a caracoleta compreendeu estar diante de um semelhante. Então, resolveu ajudá-lo a recuperar a sua casca perdida. O bosque já estava escuro, a pouca luz existente vinha dos raios de luar que passavam por entre as folhas das árvores.

Andaram muito e, quando já pensavam em desistir, surpreenderam-se com muitas cascas arrumadas, umas ao lado das outras. Olharam-se admirados, andando por entre as cascas estacionadas, quando ouviram sons e avistaram luzes de festa numa determinada direcção. Era uma festa de caracóis!

Eles dançavam e divertiam-se para comemorar a época das chuvas. As chuvas deixam o solo fresco para fazer crescer plantas verdes e os caracóis até saem da terra de contentes!

A alegria, de algum modo, abrange todas as criaturas, ainda que nem todas possam captar o seu significado. Nestes momentos, um caracol sabe como é bom estar vivo e ser um caracol.

Esqueceram o problema da casca perdida e resolveram juntar-se, partilhando a dança e os festejos com a comunidade de caracóis. Na festa, o caracol e a caracoleta puderam conversar e saber um pouco mais um do outro.

A festa estava animada, os caracóis eram simpáticos, mas os dois reflectiram que era necessário pensar na casca perdida e encontrar uma solução.

Quando há amizade nasce a generosidade e nem os caracóis ficam incólumes. Agora que eram amigos, a caracoleta convidou o caracol a habitar a sua casca. De modo que, quando um descansava dentro da casa, o outro estava por perto, do lado de fora. Estavam alegres com a partilha alternada.

Até que, de facto, chegaram as chuvas. Para além de deixarem as plantas bem verdes, as chuvas serviam também para unir ainda mais os amigos dentro da mesma casca, ao mesmo tempo.

O caracol e a caracoleta compreenderam que ter amigos é mais importante que uma simples casca!

Autora: Maria Salles

Ilustração: Inês Caetano

Exposição "Um caracol, vários artistas" - Castelo de Paiva

José Aguiar " Visão "

Exposição Colectiva de Pintura

Trabalhos de: Adelaide Moça (Matosinhos), Ana Salvador (Anadia), Daniela Costa (Espinho), Ernesto Silva (Setúbal), João Fidalgo (Cinfães), João Rodrigues (Santa Maria da Feira), José Aguiar (Castelo de Paiva), Luzia Teixeira (Guimarães), Mariana Selva (Castelo de Paiva), Natália Nunes (Santa Maria da Feira), Paulo Fontes (Lourosa), Rosa Silva (Lourosa), Raquel Teixeira (Guimarães) e Sónia Teixeira (Cinfães).
Local: Sindicato - Centro Cultural Bar Galeria
Parque das tílias - Castelo de Paiva
Data: 23 de Outubro a 10 de Janeiro de 2010
Horário: 21h00 - 02h00 (2ª a Domingo)
Org: Clube do Caracol

Dr. Perlimpimpim

Já lá vai mais de um ano desde o dia em que o Clube Caracol se deslocou ao Centro de Educação Ambiental dos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto, para assistir a uma história infantil na qual uma das personagens era, claro está, um Sr. Caracol!

O conto do qual faz parte este Sr. Caracol chama-se “Dr. Perlimpimpim – médico da bicharada” e lembra-nos, entre outras coisas, a importância da biodiversidade dos ecossistemas, direitos e cuidados a ter com os animais e os problemas causados pela poluição.

Esta é uma história divertida e muito educativa, que decorre num jardim chamado Jardim do Cogumelo. Chama-se assim porque aí existe um cogumelo gigante, no qual vive um velho médico – o Dr. Perlimpimpim, que zela da saúde de todos os habitantes e amigos desse jardim.

Entre outros utentes, o Dr. Perlimpimpim cuida do Sr. Caracol, que chega ao seu consultório com uma alergia que lhe provoca muito mau estar. Ao qual o Dr. Perlimpimpim responde:

“Deve ser dos pesticidas
Que por aí andam a pôr.
Vai tomar estas gotinhas
À base de chuva pura…
Passa-lhe já o ardor.”

E assim vai o Sr. Caracol para casa…devagar…devagarinho…
Pois, com certeza vai ficar bonzinho!

Uma história a ler e reler:
Doutor Perlimpimpim – médico da bicharada, Col. Histórias no Jardim-de-infância de Lurdes Custódio, edições Âmbar – colecção giroflé.

Texto e foto: Clube do Caracol

Perfil: Alan Santos

Data de Nascimento: 06-05-1991

Local de Nascimento: Brasilia - Brasil

Residência: Ceilândia

Actividade profissional: Área Administrativa de Hospitais

Passatempos: Ler, desenhar e jogar RPG

Filme favorito: Quem somos nós

Escritor favorito: Marcelo Hipolito

Preferências musicais: Medieval e Melancolic

Mensagem: Sempre lentamente, o caracol segue em frente, superando barreiras e dificuldades tranquilamente.

Exposição "Um caracol, vários artistas" - Porto

Adelaide Moça - " A vida "

Exposição Colectiva de Pintura

Artistas: Adelaide Moça (Matosinhos), Ana Salvador (Anadia), Daniela Costa (Espinho), Conceição Amorim (Espinho), Ernesto Silva (Setúbal), João Fidalgo (Cinfães), João Rodrigues (Santa Maria da Feira), José Aguiar (Castelo de Paiva), Luis Monteiro (Castelo de Paiva), Luzia Teixeira (Guimarães), Mariana Selva (Castelo de Paiva), Paulo Fontes (Lourosa), Rosa Silva (Lourosa), Raquel Teixeira (Guimarães) e Sónia Teixeira (Cinfães).

Local: Casa da Horta - Porto
Rua de S. Francisco, 12 A
( à Igreja de S. Francisco )

Data: 01 Maio até 16 Junho de 2009
Horário: Das 12h00 às 00h00 ( 3ª feira a Sábado )

A exposição “Um caracol, vários artistas “ continua a levar as criações dos artistas a vários pontos do país.
Depois da passagem por Santa Maria da Feira, Castelo de Paiva e Guimarães, a exposição itinerante visita agora a cidade invicta.
O Clube do Caracol privilegia os espaços alternativos e o convite da Casa da Horta foi recebido com muito agrado.
Dando sequência ao destaque dos artistas, apresentamos a Adelaide Moça:

Nascida a 22 de Fevereiro de 1972. Nacionalidade Portuguesa.
Matosinhos é a sua cidade de nascimento, são os lugares da infância e da adolescência.
Porto é das referências mais significativas e continuadas da vida.
Assina os seus primeiros quadros a óleo em 1994. Tendência natural para a pintura.
Completamente apaixonada pela cidade invicta, pinta-a.
Pinta principalmente: as suas ruas, casas, ruelas, edifícios, pontes, igrejas, monumentos históricos, Ribeira, Foz, Rio Douro e seus veleiros que navegam de um lado para o outro...
95% dos seus quadros são da cidade do Porto.
http://www.galeriadesucesso.com/

Perfil: Otília Amorim

Data de Nascimento: 15/02/1963

Local de Nascimento: Salisbury - Rhodesia

Residência: Caldas de S. Jorge - Portugal

Actividade profissional: Dept. Qualidade Calçado

Passatempos: Tocar órgão (musical), praia, cinema e viagens

Filme favorito: Titanic

Escritor favorito: Dorothy Koomsom

Preferências musicais: Beatles e Eagles

Mensagem: A vida está para os caracóis, sem stress! Movimentando lentamente.

Foto: Benidorm, Espanha 2008 - Otília Amorim

O Caracol preguiçoso e a nuvem trabalhadora

Era uma vez um caracol que andava a passear todo contente com as suas antenas ao sol. Enquanto passeava ele ia cantarolando:

Que lindo dia de sol!

Para andar a passear

Que lindo dia de sol!

Eu sou um belo caracol

Que anda aqui a cantar…

Lá lá lá lá lá lá……

Andava então na sua vidinha muito satisfeito o caracol, espevitando muito contente as suas antenas ao sol, a passear de folha verdinha em folha verdinha. Todo contente e satisfeito, mordiscava uma folhinha aqui, mordiscava uma folhinha ali e ia dizendo a toda a gente que encontrava que aquele era um belo dia. Um dia perfeito. Sim, um dia perfeito para um caracol preguiçoso que nada gostava mais de fazer senão passear e comer alegremente de antenas ao sol.

Enquanto o caracol andava assim alegre na sua vida, espreitava uma nuvem marota e atrevida:

-“ Que bela vida tem este caracol. Deve ser bom, nada mais ter para fazer, do que passear ao sol. Mas eu tenho trabalho a fazer e por isso o sol vai desaparecer e agora vai chover”- pensou a nuvem divertida com a grande partida que ia pregar ao caracol que andava a passear -“coitado, quando der por ela, nem a casota lhe vai valer. Vai ficar todo encharcado!”- e riu-se num riso de nuvem muito molhado, pois ao mesmo tempo começou a enviar uma grande quantidade de gotas de água grossas e fortes que ao chegarem à terra deixaram tudo encharcado.

O nosso caracol, é que inicialmente nem se apercebeu do que aconteceu. Tinha comido e passeado tanto que acabara por ficar cansado, e recolhendo-se para dentro da sua confortável casinha que sempre viajava nas suas costas adormeceu, bem instalado num folha comprida e verdinha. Mas com a força da chuva, a folha abanou e o pobre caracol rebolou e acordou! Tinha caído numa pequena poça de água que se tinha formado e ao sair cá para fora, com a curiosidade de saber o que estava acontecer, tinha ficado encharcado. Olhou para o céu admirado,”para onde teria ido o sol?” pensava o pobre caracol todo molhado e desapontado.


Lá bem no alto no céu, estava entretida a brincar a nossa nuvem atrevida. Já se cansara de trabalhar. Agora era a sua vez de andar entretida. Ia começar a brincar ao faz-de conta das nuvens, acabava de fazer de conta que era uma nuvem flor quando ouviu o caracol a resmungar:
-Estava um dia tão bonito e tinha que vir uma nuvem pateta fazer chuva para o estragar!

A nuvem ofendida e muito inchada decidiu que estava na hora de responder àquele caracol preguiçoso que não fazia nada. Assim começou a chamar o caracol:

-Pssst pssst senhor caracol!

O caracol olhava, olhava e nada via em seu redor.

-Pssst pssst senhor caracol! Procure melhor!

O caracol continuava a olhar a para todo o lado sem ver quem o estava a chamar.

-Pssst! Pssst! Senhor caracol! Procure melhor! Sou eu a nuvem que estou aqui em cima ao pé de si!

-Ah! Só podia ser! - Respondeu o caracol com cara de caso e de poucos amigos, pois não tinha gostado nada de ter ficado encharcado. - Onde é que já se viu molhar as pessoas que andam a passear, assim sem mais nem menos, sem sequer avisar? –resmungou amuado.


- Sabe senhor caracol enquanto andava o senhor a passear de antenas espevitadas ao sol, eu estava a trabalhar para que o senhor se pudesse alimentar e abrigar!

-A trabalhar?! Chama trabalhar a encharcar as pessoas? -retrucou indignado o caracol.

Mas a nuvem muito calma e a sorrir continuou:

- Sim a trabalhar! Se o senhor teve folhas verdes e apetitosas para se deliciar e abrigar a descansar, do seu passeio, mas se não fosse eu receio que passasse fome. Pois se eu não enviasse uma boa carga de água para que as plantas se pudessem alimentar e renovar, ficando verdes viçosas, estas não só deixariam de ser tão apetitosas como morreriam de fome e de sede. Não morrerias tu de sede se deixasse de chover? O que irias beber? Talvez não fosse agradável ficar encharcado, mas olhe como está tudo mais bonito e verdinho! Ou vai dizer-me que não tinha notado?

O caracol envergonhado com o seu egoísmo reconheceu que nunca tinha pensado que de facto a nuvem tinha razão. E também não era assim tão grave nem desagradável ter-se molhado, pois até se tinha refrescado e num instante tinha secado.

Assim a nuvem e o caracol fizeram as pazes e tornaram-se grandes amigos, pois às vezes podia não parecer, mas se o caracol e outros seres viviam não era só ao sol que o deviam, mas também à nuvem que fazia chover para que as plantas e os outros seres vivos tivessem água para beber.


Conto escrito e ilustrado por Flora Rodrigues.

Dedicado à sua filha Bárbara e inspirado num Conto de António Torrado.

12 de Outubro de 2008